'Meu primeiro beijo na boca foi com um padre', diz vítima que denunciou assédio em igreja do interior de SP

  • 04/06/2026
(Foto: Reprodução)
Homem afirma ter sido vítima de assédio de padre na adolescência em Ribeirão Preto Um homem de 32 anos, que prefere não ser identificado, afirma ser uma das vítimas que sofreram assédio sexual do padre Mário Reis da Silveira, na Paróquia Senhor Bom Jesus do Bonfim, em Ribeirão Preto (SP). Ele relata que os episódios, que envolviam toques nas partes íntimas e beijos, ocorreram na adolescência, há cerca de 20 anos, quando atuava como coroinha na igreja que frequentava. "Em alguns depoimentos meus, quando fiz a denúncia na delegacia, e a primeira vez que eu fiz a denúncia na igreja também eu disse que o meu primeiro beijo na boca foi com um padre, então isso para mim foi muito difícil para eu conseguir entender e aceitar como era", afirma. Faça parte do canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Silveira está afastado das funções na paróquia desde março e é alvo de uma investigação na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), que aguarda laudos e ainda deve ouvir o suspeito antes de concuir o inquérito. Homem de 32 anos diz ter sido assediado por padre na adolescência em Ribeirão Preto (SP). Reprodução/EPTV Segundo um advogado ouvido pela reportagem, ao menos cinco pessoas, hoje adultas, denunciaram o sacerdote por terem sido assediadas em algum momento da infância ou adolescência. A EPTV não conseguiu falar com o padre, porque os celulares dele estão com a polícia. Nas redes sociais, ele declarou que aguarda o resultado das investigações. "Estarei afastado por período indeterminado de minhas funções de pároco até que se investigue veracidade ou falsidade da acusação que me chega. (...) Durante todo esse tempo, seguirei rezando e contribuindo para a completa elucidação dos fatos alegados." LEIA TAMBÉM Padre é afastado e investigado após denúncias de assédio sexual em Ribeirão Preto Assédio ocorria após as missas, diz vítima O homem conta que frequentou desde os 12 anos a paróquia, onde se tornou coroinha depois de fazer a Primeira Eucaristia, sacramento na Igreja Católica, em que se recebe pela primeira vez o corpo e o sangue de Jesus Cristo representados pelo pão e pelo vinho. Ele afirma que os assédios ocorriam quando o padre o chamava para conversar em particular, já que as atividades da igreja ocorriam em público e sempre com a presença de várias pessoas. "Ele começou a pedir para eu aguardar ele após as missas para a gente ter uma conversa na sacristia, que seria a sala que tem dentro da igreja destinada para ele. aí, nesses momentos, que começou a acontecer alguns episódios." Paróquia Senhor Bom Jesus do Bonfim, em Ribeirão Preto (SP). Reprodução/EPTV Em alguns deles, o homem conta que foi beijado na boca sem consentimento. "Quando eu cheguei nessa sala com ele, ele fechou a porta e já veio me abraçando e me beijando. (...) A maioria das vezes ele beijava muito meu pescoço, minha bochecha e beijava a minha boca também." Ele também relatou que, nesses momentos em particular, o padre também o tocou nas partes íntimas. "Na grande maioria dos momentos eu me sentia 100% congelado, não conseguia fazer sequer um movimento. Nada era recíproco naquele momento, eu era meio que um objeto que ele estava utilizando ali, era assim que eu me sentia", diz. Ele afirma ainda que chegou a ser obrigado a tocar nas partes íntimas do padre. "Nunca tive um ato sexual com ele, eu falo de penetração, mas um contato comigo ele sempre tinha e eu nunca fiz um toque nele, apenas uma vez que ele pôs a minha mão no órgão dele. E aí eu me incomodei muito e eu consegui tirar." Quando tinha 17 anos, ele afirma que começou a evitar as aproximações do padre e resolveu contar para a mãe, que na época era uma frequentadora da paróquia e não sabia o que estava acontecendo. "Fiquei com muito medo de ela não acreditar no meu depoimento. A princípio, a sensação que tive foi que eu estava traindo ela e a igreja. Eu não achei que estava realmente me livrando de alguma coisa, foi um sentimento de culpa de não ter conseguido contar antes", afirma. A mãe, ao saber do que ocorria, decidiu acionar a Arquidiocese Metropolitana, mas o caso não foi levado adiante. Padre Mário Reis da Silveira, em Ribeirão Preto (SP), é alvo de investigação após denúncias de assédio. Reprodução/EPTV "Foi pedido para o meu filho fazer uma carta de próprio punho, relatando o que tinha acontecido com ele, para que eles pudessem levar o caso adiante. Na época ele não conseguiu fazer. emocionalmente não tinha como, ele não conseguia. Eu também respeitei muito a posição dele", afirma a entrevistada. O homem afirma que, depois disso, teve dificuldades de se relacionar com outras pessoas devido aos episódios de assédio. Além disso, nunca mais frequentou a Igreja Católica. "Eu tive algumas dificuldades sim para ingressar em um relacionamento de uma forma que eu conhecia como sadio. (...) Hoje eu já lido um pouco melhor com isso, eu acho que já tive fases piores da minha vida. Hoje eu consigo entender que eu fui mais uma vítima de uma pessoa que não sei nem explicar o que ela é." A vítima também explica por que decidiu expor a situação somente agora, como um adulto. "O que me deu muita força nesse momento para falar e voltar com esse assunto à tona foi a situação que hoje eu sou pai, hoje eu tenho um filho e eu gostaria que meu filho jamais passasse por isso." Veja a reportagem da EPTV na íntegra: Padre é investigado por suspeita de assédio a coroinhas em Bonfim Paulista Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/06/04/meu-primeiro-beijo-na-boca-foi-com-um-padre-diz-vitima-que-denunciou-assedio-em-igreja-do-interior-de-sp.ghtml


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